• Tales Ferretti

uma só luta

A plataforma tem por base os estudos urbanos, suas dinâmicas, mecanismos de funcionamento, financiamento e marcos regulatórios. E sempre relembramos a importância do contexto. Por diversas vezes a abordagem do urbano, da urbe, da pólis assume um caráter próprio de que essas aglomerações são de importância única e singular, e sim, o são.


Porém há um componente estruturante do pensamento que não pode ser deixado de lado: a sociedade atrelada à essas formações.


Isso denota novamente a importância comum do contexto que foi supracitada, mas agora o presente artigo irá sair do âmbito do urbano, da cidade, da aglomeração construída nos moldes europeizadores.


O contexto brasileiro não surge com o descobrimento português de seu território, começa muito antes, onde as sociedades dos povos originários se encontravam nessas terras, plenamente desenvolvidas.


Há 519 anos o Brasil está em guerra. Seu povo, originário, quem tem direito à terra, está sendo dizimado desde que o primeiro português pisou nesse território. São, portanto, 5 séculos de resistência e luta contra a hegemonia de poder, que passou dos portugueses para uma elite que pouco se importa ou se entende como brasileira.

As lutas por demarcação e cidadania dos povos originários devem ser entendidas como parte do debate urbano, principalmente quando norteado pelos princípios democráticos.

Nunca iremos ter condições para estruturar debates em torno da justiça social, combatendo a segregação socioespacial senão entendermos como um todo o território nacional. E essa luta passa pela demarcação das terras indígenas e sua preservação.


O modo simbiótico de vida dos povos originários com o território é um mecanismo de gestão compartilhada aliada com a questão de crença e mística que possuem com a terra. Será que não podemos aprender, ter empatia e humildade para admitirmos que até onde caminhamos não foi benéfico para ninguém.


A bestialidade e ignorância branca agora vem travestida com o rótulo de sustentabilidade; com o pagamento de créditos de carbono que criaram um mercado de deslocamento da poluição; com a monetização de pagamentos de serviços ambientais; com selos de construção verde que inserem a lógica de mercadoria pelo meio ambiente e tantos outros mecanismos que não atacam o cerne da questão que é o valor de uso do meio ambiente e não o seu valor de troca.

Em tempos contemporâneos, parece que pensar fora da lógica mercadológica por si é um ato de resistência.

E aqui faço uma reunião de falas de Ailton Krenak, Sonia Guajajara, Mario Jurunã e Alvaro Tukano em diversos vídeos, entrevistas e filmes para tentar aproximar a questão territorial dos povos originários e a luta pela reforma urbana.





Há também o curta "Índios no Poder" disponível no PortaCurtas.org.br


O filme "Ailton Krenak e o sonho da pedra" ainda não está disponível para exibição online, distribuído pelo Canal Curta o documentário traça o pensamento e a trajetória de Ailton Krenak, líder indígena natural de Minas Gerais, descendente da etnia Krenak, outrora chamados Botocudos. Depois de estudar em São Paulo, Ailton foi atuante na defesa dos povos indígenas. Ao viajar pelo Brasil e pelo mundo, transformou-se numa espécie de embaixador das culturas originais brasileiras. O filme traz imagens e depoimentos de Ailton em diferentes momentos de sua vida, além de outros personagens que fazem parte de seu universo. Mas deixo aqui o link para o TamanduáTV, a plataforma que irá disponibilizar sua visualização.

E para finalizar, mais uma entrevista de Ailton Krenak para uma plataforma muito combativa e presente nas mais diversas comunidades, do Brasil e do mundo:


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© 2019. Baleia Urbana por Tales Ferretti