• Karoline Rodrigues

O que Platão diria sobre essa coisa toda?

O Mito da Caverna é uma alegoria do livro mais importante de Platão, A República, no qual estabelece um diálogo com Sócrates, e fala sobre o tal filósofo como se estivesse em discussão com um aluno, Glauco, sobre os “processos de um aprendizado”, o que é justiça e um melhor modelo de governo.


Legenda: Este é tio Plats

Talvez esse seja um dos contos filosóficos mais populares e reproduzidos no entretenimento, ele fora citado em Matrix, no Show de Truman e em vários outros filmes hollywoodianos. Quanto a Patão e Sócrates, penso eu que foi dai que surgiu o termo "amor platônico", porque Platão gostava tanto de Sócrates, o usava de exemplo em seus escritos, o via como o melhor professor das galáxias (e quem não?) e ficou tão puto pelo fato de ele ter sido assassinado, que tinha ranço total de ateniense. Platão gostava tanto de Sócrates, que não sei não hein produção? (Relaxa que isso não é mal dizer nenhum dos dois, gregos acreditavam no amor entre dois homens... A nossa sociedade que é quadrada pra isso).

Legenda: E esse casal? SERÁ???


Ao olhar de volta para o mito que importa, deixando Platão amar quem quiser e fazendo uma breve síntese, consiste em Sócrates explicando uma alegoria de descobrimento, onde as pessoas acorrentadas dentro de uma caverna, que desconhecem a luz do Sol e tudo que elas conhecem são apenas as sombras produzidas na parede da caverna, e tomam isso como verdade. Eis que um dos acorrentados “se solta e foge” para fora da caverna, e em um

Há quem diga que a análise é sobre “o que realmente é importante na vida” e fazem analogias cuja a caverna é o mundo físico e material e a sua “saída” com o mundo do saber (que é divino e infinito). Pessoalmente vejo a analogia muito próxima com o conhecimento, e assim como o mito, após descobrir algo novo, voltar para caverna (apesar de difícil, e correr sério risco) torna-se uma obrigação.

Todos nós temos por obrigação repassar os conhecimentos adquiridos, ao mesmo tempo que, devemos ter a paciência de esperar que a “cegueira causada pelo Sol” possa fazer com que o outro veja a realidade. Platão fala muito sobre isso. Talvez pelo rancor da sociedade ateniense ter condenado seu amado Sócrates a morte, talvez por entender que tem é necessário ter MUITA, mas muita mesmo, paciência com cada fase do aprendizado. (Leia-se: não zombar dos minions arrependidos)

Legenda: Mas a vontade de colocar o dedinho do eu te avisei é grande.


Em tempos de pandemia, a necessidade de saídas científicas para se superar o Coronavirus torna importante a reflexão sobre a construção da razão. Alias, não só o Covid, mas superar a desinformação, a recessão econômica... tem sido uma árdua tarefa. O conjunto de desinformações e de desconfianças sobre saídas científicas para a crise de saúde sugere o cenário das sombras da caverna de Platão. Governos negacionistas, fake news e ideologias anticientíficas pregam um caminho beeem, mas bem distante mesmo do bem estar coletivo na medida em que minimizam a pandemia. Com isso, a tal “ verdade inteligível e esclarecedora” de ações pró-saúde e pró-vida perde espaço para a distorção da realidade. A situação de irracionalidade se aprofunda se pensarmos que o senso comum é reafirmado por lideranças que deveriam estar na vanguarda dos esclarecimentos sobre a pandemia.


O isolamento social também “ajuda na surtada”. Afinal, são diversas privações, tanto no particular, a dificuldade de manter-se em casa, lidar com a escassez, eu mesma me pego pensando que, se eu moradora de “cidade grande” já tenho dificuldade de encontrar algumas coisas, imagina quem tá longe? Isso sem falar na paciência que temos que ter em não exercer julgamentos, afinal, se nem o Estado consegue julgar quem pode ou não sair para trabalhar, ir ao mercado, a necessidade de cada um para lazer… (gente não faz essa cara, lazer também é necessário)... Enfim só deus para julgar (salve Mv Bill!).


Aos olhares de Platão torna-se cada vez mais distante a ideia da justiça e do bem, os quais só são possíveis de serem atingidos em um processo de construção individual e coletivo. Neste diálogo filosófico, do ponto de vista jurídico, Platão nos ensina que fora da razão não há a verdade e, sem ela, não há a justiça. Assim, tratar uma pandemia como se fossem sombras na parede da caverna, implica privar as pessoas de usufruir a máxima do bem estar.


Esse descaso fere as garantias constitucionais do nosso ordenamento jurídico. Cabe aqui, destacar que o artigo 5º da Constituição Federal determina a “inviolabilidade do direito à vida” e o direito à informação. Ah! E o artigo 6º que inclui educação, saúde e assistência aos desamparados no seu rol exemplificativo de direitos sociais. Esse parece que a gente já esqueceu faz tempo!


Ademais, se pensarmos na violência sobre os corpos humanos – seja no interior da caverna, seja em meio à pandemia -, privar as pessoas de “aproveitar” do mundo real é condená-las ao sofrimento. Assim, a grande questão para a teoria do conhecimento e para os juristas é desvendar se a perpetuação da ignorância que impede o despertar do senso comum é uma ação dolosa ou é tão medíocre quanto a cegueira: no primeiro caso, é inegável a promoção de um crime contra a humanidade; no segundo, exige se a necessária paciência do processo pedagógico.

Legenda: Estamos mesmo vivendo?



E o que diria Platão sobre tudo isso? Bom, essa é uma realidade que nunca saberemos, Platão já virou semente faz um tempo... mas E VOCÊ O QUE PENSA SOBRE TUDO ISSO?



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