• Baleia Urbana

Baleia recomenda: " O Poço"

Em um contexto que traz à tona ainda mais as diferenças sociais, suas consequências e interferências de quem pode e quem não, a Baleia traz a recomendação de um filme que tem se destacado quanto à público que usam um serviço de streaming.

O Poço é um suspense de ficção científica e psicológica que se aprofunda no classismo e no elitismo. É produção do País Basco para a Netflix espanhola, dirigido por Galder Gaztelu-Urrutia, e está em 3 semanas entre os mais vistos no Brasil dentro da plataforma. Apesar de ser de origem contrária aos filmes hollywoodianos, é fato que filmes de horror têm um apelo grande na cinefilia de qualquer país, e que os tempos de horror que vivemos parecem convidar a repercutir esse horror na experiência de ver um filme. Ainda assim, é surpreendente a grande procura por um filme espanhol, com atores e diretor “desconhecidos”.



O enredo basicamente está nas ações de Goreng e seus parceiros dentro do poço. Uma torre de vários níveis, com uma distribuição imensa de comida sendo enviada de cima para baixo em uma mesa móvel, um perfeito banquete. Toda via, ao descer, cabe a cada nível determinar o que deve ser deixado abaixo... Servindo para testar a compaixão e a empatia da sociedade ali existente.

É interessante lembrar que em cada mês, as pessoas trocam de andar no poço, dessa forma, em um mês pode estar em cima e no mês seguinte em um nível mais baixo do poço.


O filme é de ficção, toda via, ao pensar de forma ampla o filme faz um bom comparativo com a sociedade na qual vivemos e o modelo capitalista que é mantido. Onde uns começam com um banquete, outros ficam com as sobras. E por qual motivo não compartilhar e buscar a igualdade.


O diretor do filme Galder Gaztelu-Urrutia recentemente em uma entrevista, comenta sobre a tal mensagem:


(tentando não dar nenhum spoilers, ou o mínimo deles a Baleia cortou alguns pedaços da fala)

“Nós certamente pensamos que deve haver uma melhor distribuição de riquezas, mas o filme não é estritamente sobre o capitalismo,” disse Gaztelu-Urrutia. “Talvez haja uma crítica ao capitalismo no começo, mas nós mostramos que, assim que Goreng e Baharat começam a usar o socialismo para convencer os outros prisioneiros a compartilhar a comida, eles acabam matando metade das pessoas que tentaram ajudar”

Para concluir ele diz A separação entre ricos e pobres, norte e sul, os que querem ascender e os que concordam em descer e dividir. O filme tem, sim, muitas camadas que recompensam com muitas interpretações. O Poço reflete a fria desumanização do mundo em que vivemos.”


O filme O Poço está disponível na plataforma Netflix. Baleia talvez deva ressaltar, "O Poço" não é uma produção incrível, mas é um belo exemplar, principalmente quando considera-se esse gênero de terror e suspense. Sua virtude não é ser inovador enquanto obra, peça de arte, mas sim, de trazer à tona, em mais um diferente gênero, a importância de repensarmos o capitalismo. Não para atenuar-se ou deixar ele mais "verde, consciente, responsável", a única evolução admissível para esse sistema que permite e enseja a exclusão da grande maioria das pessoas para a geração de riqueza para poucos, muito poucos, é o seu fim.


O Poço traz novamente a emergência dessa discussão, e para isso usa argumentos viscerais. É bruto, é duro, é voraz. É como deveríamos ser para com o sistema capitalista. Implacável.


38 visualizações
  • Facebook - White Circle
  • Instagram - White Circle
  • Twitter - White Circle

© 2019. Baleia Urbana por Tales Ferretti