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Baleia recomenda: "Irmandade"

O certo pelo certo.


A noção conjunta de uma moralidade sistemática é complexa. É uma construção social que nos leva diretamente à filosofia clássica e suas decorrências. Mas afinal o que é certo?

Vivemos em uma sociedade doente, que ameniza as mortes diárias causadas pela essência de seu sistema econômico. Vivemos em função de um eufemismo corretivo de condutas que normaliza discursos de ódio e opressão contra pessoas e territórios específicos, e ainda assim achamos isso “correto”.


Quando alguém assume uma postura anti-sistêmica, revolucionária que simplesmente acaba com a importância do capital na vida cotidiana, é taxada de louca, como se estivesse fora da realidade.


Mas quem é de fato mais louco? Aquele que deixou de acreditar que um pedaço de papel sujo tem mais valor do de as experiências humanas?


Outra postura que é duramente criticada é o abolicionismo prisional, que suscita inflamados defensores que utilizam o “irrefutável” argumento legalista para justificar uma opressão hegemônica do estado que atua sobre um seleto grupo de pessoas: negro, jovem e periférico.


Na realidade brasileira, há uma recente produção que ajuda nesse debate: Irmandade.

A série, produzida pela O2 filmes, para a Netflix, conta com a direção de Pedro Morelli, que também encabeçou a produção de “Cidade dos Homens” (2002-2005/2017-2018) e de “Entre Nós” (2014), também recomendadas aqui. Pedro, em entrevista para a Folha de São Paulo comenta:

“Todos sabem que os presídios sempre estiveram em condições precárias, que nunca houve o mínimo de obediência aos direitos humanos. Os presos se uniram em busca desses direitos e foi assim que surgiu o crime organizado. Essa opressão do estado se mostra uma estratégia fracassada, porque ela mesmo criou essa reação de violência. Se houvesse o mínimo de dignidade, não teria se alimentado o crime."

A série se passa em São Paulo dos anos 90, e além da própria produção, deixo abaixo uma das músicas de um grupo de rap, Facção Central, que ajuda a compor essa conjuntura temporal. O Facção Central foi considerado um dos mais ácidos e críticos representantes dessa denúncia contra o sistema e as garantias estatais que fundamentam essa lógica prisional, ao lado dos parceiros do Racionais MC’s, que dispensam qualquer apresentação, ajudaram a publicizar as atrocidades cometidas em nome do bem. Há também o ímpar Eduardo, ex-integrante do Facção Central, que também versou sobre o tema.





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© 2019. Baleia Urbana por Tales Ferretti