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Baleia recomenda: "Expresso do Amanhã"

Nada como uma distopia ficcional para questionar se realmente estamos tão distantes assim de um modo de vida. Explicações na sequência

O fim do mundo acontece, tudo vira gelo. Os humanos sobreviventes se reorganizam e constroem um trem, claro que com a grana nos milionários ainda vivos, que precisa ficar em movimento para mantê-los aquecidos e funcionar de acordo com o planejado. O trem se organiza do mesmo modo que acontecia anteriormente, isto é, os milionários se ocupam a primeira classe do trem, logo depois, a segunda classe, formada por médicos e especialistas. A seguir temos o leito, que é o vagão onde a segunda e a terceira classe, desfrutam dos prazeres: baladas, sexo e meditação. Conhecida como a classe que tudo pertence, a terceira classe, possuem alguns vagões a menos que a primeira classe, são maioria em população e são quem realmente fazem o trem funcionar: os faxineiros, garçons, agricultores... E por fim e não menos importante: os fundistas. Uma galera que entrou no trem por sobrevivência, não comprou bilhete e vive na sarjeta do trem, e recebem o que sobra dos milionários, esperando a sorte de serem escolhidos para ascenderem e virarem operários na terceira classe, assim merecedores de fato de comida, um lugar para dormir e uma condição digna de vida. Dizem ser uma série futurista, mas me parece bem atual não?


As ações se encadeiam em torno de um assassinato, um fundista que era investigador antes de tudo virar gelo e ele por sobrevivência pular para entrar no trem e a contenção das revoluções, que na série é chamada de: "estabelecer a ordem".


A série é baseada em um filme de 2013 do Bong Joon-Ho, (roteirista e diretor de Parasita), que por sua vez adaptou o roteiro de um HQ francesa, Le Transperceneige de Jacques Lob e Jean-Marc Rochette de 1982. Aliás, o filme de 2013 marca a estreia de Bong no cinema em língua inglesa, e só aí que começou sua fama no ocidente. Digamos que para além do colonialismo cultural, nossas perspectivas de consumo da arte, e repare no termo, consumo, são sempre baseados nesse modelo, que só chega até nós se for norte-americano ou do oeste europeu. Vale lembrar que mesmo os filmes que não são besteiróis completos são assim...Os americanos compram o roteiro e super produzem, e colocam a "cara da Améria/Europa". Até que ponto é disseminação da cultura e até que ponto é a gente sucumbindo ao imperialismo?



ANÁLISE COM ALÉRTA DE SPOILER (se não quiser, desce rapidinho pra ver o trailer)


O trem é comandado por Melani Cavill, uma engenheira que faz questão de exibir sua inteligencia com uniformes de MIT, Stanford, UBC e afins...Mas uma mulher tão inteligente não poderia ditar as ordens não é mesmo? Ela é "cria" de um senhor, soberano, dono do trem e detentor de toda sabedoria... um deus chamado Wilfrord e é ele que dita as regras do trem.

Nota-se também, que há bens que valem muito mais que dinheiro: informação, poder e status. E todos eles garantem boa sobrevivência. E aqui, comida e condições dignas são os motivos para revoluções e banhos de sangue.


Será que isso é um spoiler da série ou da vida real?


A série tem uma temporada disponível no Netflix.


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© 2019. Baleia Urbana por Tales Ferretti