• Tales Ferretti

a terra urbana

Atualizado: 24 de Mai de 2019

As dissonâncias das políticas urbanas chegaram a tal ponto que sim, foi comemorado o fato da inclusão do termo função social da propriedade na constituição de 1988.


Tais disfuncionalidades sobre o que se espera da terra urbana e a função que de fato ela cumpre pode ser observado a todo momento na cidade de São Paulo. Os marcos regulatórios então tem o dever de garantir a apropriada regulamentação sobre o solo urbano, lembrando que a própria gênese de um solo urbano já parte de princípios preestabelecidos que regem sua existência e funcionamento, portanto, não deveria ser necessário assumir que esta é um a discussão passada ou sedimentada bases sólidas de entendimento urbano|jurídico.

Porém, em tempos onde o neoliberalismo ressurge com força, é necessário explicar novamente o básico, e por isso nos remetemos à Carta Magma vigente. A garantia da propriedade privada é obviamente indiscutível sobre a ótica dessa constituição, porém também associada as suas funções sociais.


Considerando a cidade contemporânea, é importante afirmar que a terra urbana não exerce apenas uma função, não estamos mais seguindo o principio da Carta de Atenas, a modernidade já passou e há a necessidade de interpretar os fenômenos urbanos sob uma nova ótica.



E então o que seriam as novas funções sociais do território urbano? Habitar, trabalhar, entreter, usufruir da cidade e sua urbanidade na mais plena e completa definição. Cidades para as pessoas. E apesar da clareza e pluralidade das vocações urbanas parece ainda ser preciso lutar contra alguns, e deixemos claros que somente alguns, mas poderosos empreendedores imobiliários ainda apresentam resistência, para ser brando, em aderir ao contemporâneo. Teimam em investir e construir pedaços de território como se fossem somente edificações. Venho dar a seguinte noticia para vocês, urbanidade gera valor.


Enquanto arquitetos, engenheiros e investidores não compreenderem que há, um imenso por sinal, valor na urbanidade, e com isso de fato, não mais projetarem, construírem ou investirem edifícios mas sim entenderem que o prédio é cidade, e essa cidade é plural, diversa e inquieta, vamos ainda estar vivendo nos sonhos modernos monofuncionais de Le Corbusier e companhia.




É ainda preciso lembrar que urbanidade não é somente uso misto do lote, diversidade de renda nos edifícios, ou fachada ativa, mas também é uma série de gentilezas urbanas, como bancos; calcada mais larga, bem cuidada, acessível; praças; arborização adequada; lixeiras bem desenhadas e posicionadas, entre tantas outras variáveis de desenho urbano.


Bem como é preciso atentar para que a terra urbana não seja tratada apenas como investimento, pensando em tempos de retorno e como capitalizar recursos. Estamos falando não somente de territórios, mas de conceito de lugar, de pertencimento e empatia.


É fato que o solo urbano, na grande maioria das cidades é um bem esgotado, raro, escasso, e é por esse motivo que devemos nos atentar ao uso dele, sermos críticos e participativos.


Por acaso estão antenados com as consultas públicas que estão acontecendo na sua cidade?


Vamos fazer a nossa parte e participar também da construção da legislação urbana?


https://participe.gestaourbana.prefeitura.sp.gov.br/



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© 2019. Baleia Urbana por Tales Ferretti